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Direito Criminal

Fui processado pela Lei Maria da Penha: o que fazer e como proceder?

Alessandra Franke Steffens
Alessandra Franke Steffens
·8 de maio de 2026·2 min de leitura·7 visualizações
Fui processado pela Lei Maria da Penha: o que fazer e como proceder?

Ser alvo de um processo baseado na Lei Maria da Penha (Lei 11.340/06) é uma situação delicada que exige calma e uma postura estratégica imediata. O desconhecimento sobre o rito processual e as Medidas Protetivas de Urgência pode agravar severamente a situação do réu ou investigado.

Se você recebeu uma intimação ou tomou conhecimento de uma denúncia, confira as orientações fundamentais abaixo:

1. Respeite Rigorosamente as Medidas Protetivas

Muitas vezes, antes mesmo de você ser ouvido, a justiça pode determinar Medidas Protetivas de Urgência, como o afastamento do lar e a proibição de contato com a vítima por qualquer meio (inclusive WhatsApp ou redes sociais).

  • O descumprimento gera prisão preventiva: Independentemente de você considerar a medida injusta, jamais tente contato direto para "conversar" ou "resolver as coisas". O descumprimento de medida protetiva é crime autônomo e pode levar à prisão imediata.

2. Não Tente Resolver Sozinho

A Lei Maria da Penha possui particularidades que a diferenciam de outros processos criminais.

Por exemplo, em muitos casos, a vítima não pode simplesmente "retirar a queixa" na delegacia; a renúncia só é possível perante um juiz, em audiência específica, e apenas em crimes de ação penal pública condicionada à representação.

3. Reúna Provas e Documentos

Desde o primeiro momento, organize todo o material que possa auxiliar na sua defesa técnica:

  • Histórico de mensagens e áudios;

  • Comprovantes de geolocalização;

  • Rol de testemunhas que presenciaram os fatos;

  • Registros de câmeras de segurança, se houver.

4. A Importância da Defesa Técnica Especializada

A presença de um advogado é indispensável. Somente um profissional poderá:

  • Analisar o Inquérito Policial: Entender quais provas foram apresentadas pela acusação.

  • Contestar Medidas Protetivas: Se houver excessos ou falta de fundamentação, é possível solicitar a revogação ou modificação das medidas.

  • Acompanhar Depoimentos: Evitar que o investigado produza provas contra si mesmo por nervosismo ou má interpretação das perguntas.

Conclusão

Responder a um processo criminal é um direito garantido pela Constituição Federal, assegurando a ampla defesa e o contraditório. O foco deve ser sempre o cumprimento das ordens judiciais vigentes e a construção de uma defesa técnica sólida para esclarecer os fatos perante o juízo.

Alessandra Franke Steffens

Escrito por

Alessandra Franke Steffens

OAB/SC 21.390-B | OAB/RS 55.474

Direito Criminal

Advogada especialista em Direito Criminal.

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